quarta-feira, 28 de novembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
VAMOS AJUDAR
Amigos
Temos números como metas altamente desafiadoras e a nossa
motivação aumenta a cada dia.
Até 2016 vamos levar cidadania a todo o país, de uma forma
estruturada e sem dependencia dos governos, aos cerca de 5560 municipios e para
as 5000 maiores COMUNIDADES CARENTES.
Nossos quase 20 anos de trabalho pela causa da transformação e
pelo nascer de uma nova sociedade e os nossos 8 anos sucessivos de Qualificação
pelo GOVERNO FEDERAL, como uma ORGANIZAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO, e tudo isso até
aqui conquistado somente com a ajuda e recursos nossos próprios, de amigos e
fundadores, nos dão o direito a com essa autonomia e independência, nos
espalharmos pela sociedade para a qual estamos trabalhando para que ela venha
conosco para o seu engrandecimento.
Logo, pedimos que vocês que tanto nos tem
ajudado, possam multiplicar para junto a todos os seus contatos essa nossa
bandeira, e isso é muito fácil, é só vocês que tem facebook, CONVIDAREM pelo
Grupo do BRASIL CIDADÃO do qual vocês já são integrantes em função do meu
convite que já fiz.
Por exemplo, somos hoje 316 no grupo BRASIL CIDADÃO do
Facebook e daí temos uma grande quantidade de meus convidados e mais uma parte
de convidados do Daniel Figueiredo, nosso voluntário e Diretor Nacional da
ESCOLA DE CIDADANIA e pelo que vi um convidado do amigo Adilson Rio Branco que
convidou nosso grande amigo Antonio João.
Ou seja, se cada um de vocês convidar seus amigos para esse
nosso grupo, teremos assim mais condições de formar a nossa REDE BRASIL CIDADÃO
mais rapidamente e cumprir a seleção das lideranças que precisamos para colocar
as ESCOLAS DE CIDADANIA em todo o país.
vamos lá!!
obrigado!
Mauricio M.
Menezes
Presidente
INSTITUTO PAI
www.brasilcidadao.org
www.ipai.org.br
www.escoladecidadania.org
www.escoladecidadania.blog.com
www.twitter.com/escolacidadania
www.escoladecidadania.ning.com
021-3285-0541
021-9982-0066
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
BRASIL CIDADÃO
Bom dia amigos
Estamos agora de fato iniciando a FORMAÇÃO da nossa REDE
BRASIL CIDADÃO, questões como a abaixo só serão de fato solucionadas quando aqui
imperar o CIDADÃO.
REITERAMOS QUE, estamos agora de fato
iniciando a FORMAÇÃO da nossa REDE BRASIL CIDADÃO, as pessoas começaram a
se cadastrar e nossa prioridade é escolha das LIDERANÇAS NACIONAIS e ESTADUAIS,
e ainda a ecolha das pessoas que vão tocar os DEPARTAMENTOS da ESCOLA DE
CIDADANIA, por favor indiquem pessoas de seus relacionamentos pra acessarem o
endereço abaixo e se cadastrarem!
Agora em função das iniciativas políticas, enfim surge a discussão sobre as
FERROVIAS para o país, antes tarde do que nunca, e a questão dos objetivos
maiores se apresentam, se é para realmente fazer acontecer a solução do
transporte ou se para abrir espaços para ações de corrupção, mas a única verdade
inquestionável é: disso tudo aí amigos, duas certezas!
A FERROVIA é uma boa, logo, vamos dar força, e a segunda é que no BRASIL,
assim como em todos os paises, a CIADADANIA é vital, falamos de cidadania ampla,
aquela que além de direitos e deveres tradicionais, traga a participação das
pessoas para a CONTRUÇÃO DO BEM COMUM, e para tal estamos trabalhando há 20 anos
na causa, para CONSTRUÇÃO DA REDE BRASILCIDADÃO , www.brasilcidadao.org e aí
sim, vamos poder acreditar que as FERROVIAS do TRANSPORTE, da SAUDE, da
EDUCAÇÃO, da MORADIA, do MEIO AMBIENTE, da SEGURANÇA e a da EDUCAÇÃO AMPLA.
estarão sendo construidas,
abs
Mauricio M.
Menezes
Presidente
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ESCOLHAS.
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| Confira aqui |
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
PROBLEMAS PARA SEREM RESOLVIDOS
A solução dos problemas no Brasil parecem óbvias :
os programas assistencialistas, tipo bolsa família, e
outros, num primeiro momento resolveram.
- EDUCAÇÃO : quotas raciais são uma idiotice. Vamos começar pagando bem
aos professores. Depois alimentação na escola, material e estrutura.
Um currículo realista é muito importante, voltado para nossa realidade
(acho que as crianças tem coisas mais importantes para aprender do que
decorar composição de núcleo celular !!!).
A EDUCAÇÃO é a base de tudo. Com ela as pessoas poderão melhorar de vida.
Vão entender melhor os mecanismos sociais e participar deles.
As escolas são os nascedouros dos atletas, técnicos, cidadãos.
Todos os trabalhos de desencolvimento social deveriam ter como núcleo as
escolas.
Os governantes decentes deveriam ter isso como prioridade.
Não estou inventando a pólvora mas só observando os países que são
desenvolvidos e que no século passado conseguiram melhorias
significativas.
A EDUCAÇÃO é algo fundamental para melhorar a sociedade.
Ela é um mecanismo de reforma social mais eficaz que conheço.
Distribui renda, possibilita ascensão social, induz as reinvindicaçôes e
cobranças dos nossos síndicos.
Não vou ficar apelando ou mesmo implorando que os polítucos se deem conta
disso mas agora, às vésperas de uma eleição,
coloque na sua pauta de itens para escolha do seu candidato, algum que
aborde esse tema.
Já é um começo.
Com relação aos outros problemas vão se resolvendo a reboque dessa linha
mestra de priorizar a EDUCAÇÃO.
Carecemos que nossos governantes tenham vergonha e comecem a tratar
melhor as coisas públicas.
Precisaríamos de uma limpeza mas todos queremos que o terreno do vizinho
não tenha poças de água para
proliferação dos mosquitos mas nossos vasos de plantas são limpinhos.
Na verdade confesso que não sei por onde começar mas temos que
providenciar alguma solução.
Nesse primeiro momento volto a repetir que devemos eleger pessoas que
sejam políticos de verdade.
Precisamos de gente honesta, trabalhadeira, que queira ajudar mesmo.
Acho que posso propor que ninguém pudesse ficar em cargo público,
eletivo ou comissionado
por mais que 8 anos. Após essa quota de dedicação à causa publica de
forma altruísta, as pessoas
voltariam a se dedicar aos seus negócios particulares.
Vamos lá, usemos mais essa oportunidade/eleição para iniciar essa limpeza.
Esta coluna E BOM SABER, e publicada no JORNAL DE ICARAI
edição de 18/8/2012
os programas assistencialistas, tipo bolsa família, e
outros, num primeiro momento resolveram.
- EDUCAÇÃO : quotas raciais são uma idiotice. Vamos começar pagando bem
aos professores. Depois alimentação na escola, material e estrutura.
Um currículo realista é muito importante, voltado para nossa realidade
(acho que as crianças tem coisas mais importantes para aprender do que
decorar composição de núcleo celular !!!).
A EDUCAÇÃO é a base de tudo. Com ela as pessoas poderão melhorar de vida.
Vão entender melhor os mecanismos sociais e participar deles.
As escolas são os nascedouros dos atletas, técnicos, cidadãos.
Todos os trabalhos de desencolvimento social deveriam ter como núcleo as
escolas.
Os governantes decentes deveriam ter isso como prioridade.
Não estou inventando a pólvora mas só observando os países que são
desenvolvidos e que no século passado conseguiram melhorias
significativas.
A EDUCAÇÃO é algo fundamental para melhorar a sociedade.
Ela é um mecanismo de reforma social mais eficaz que conheço.
Distribui renda, possibilita ascensão social, induz as reinvindicaçôes e
cobranças dos nossos síndicos.
Não vou ficar apelando ou mesmo implorando que os polítucos se deem conta
disso mas agora, às vésperas de uma eleição,
coloque na sua pauta de itens para escolha do seu candidato, algum que
aborde esse tema.
Já é um começo.
Com relação aos outros problemas vão se resolvendo a reboque dessa linha
mestra de priorizar a EDUCAÇÃO.
Carecemos que nossos governantes tenham vergonha e comecem a tratar
melhor as coisas públicas.
Precisaríamos de uma limpeza mas todos queremos que o terreno do vizinho
não tenha poças de água para
proliferação dos mosquitos mas nossos vasos de plantas são limpinhos.
Na verdade confesso que não sei por onde começar mas temos que
providenciar alguma solução.
Nesse primeiro momento volto a repetir que devemos eleger pessoas que
sejam políticos de verdade.
Precisamos de gente honesta, trabalhadeira, que queira ajudar mesmo.
Acho que posso propor que ninguém pudesse ficar em cargo público,
eletivo ou comissionado
por mais que 8 anos. Após essa quota de dedicação à causa publica de
forma altruísta, as pessoas
voltariam a se dedicar aos seus negócios particulares.
Vamos lá, usemos mais essa oportunidade/eleição para iniciar essa limpeza.
Esta coluna E BOM SABER, e publicada no JORNAL DE ICARAI
edição de 18/8/2012
sábado, 11 de agosto de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
A VERDADE SOBRE FERNANDO LUGO
A GUARÂNIA DO
ENGANO
Por Chiqui Avalos
(*)
“A história do Brasil, vista desde o Paraguai,
é outra”
(Millôr Fernandes)
Como num verso célebre de meu inesquecível
amigo Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, alguns governos
latino-americanos redescobrem o velho e sofrido Paraguay e resolvem salvar uma
democracia que teria sido ferida de morte com a queda de seu presidente. Começa
aí um engano, uma sucessão de enganos, mentiras e desilusões, em proporção e
intensidade que bem serve a que se companha uma melodiosa guarânia, mas de gosto
extremamente duvidoso.
Sucedem-se fatos bizarros na vida das nações em
pleno século XXI. Uma leva de chanceleres, saídos da espetaculosa e improdutiva
Rio+20, desembarca de outra leva de imponentes jatos oficiais no início da
madrugada de um incomum inverno, e - quem sabe estimulados pela baixa
temperatura - se comportam com a mesma frieza com que a “Tríplice Aliança”
dizimou centenas de milhares de guaranis numa guerra que arrasou a mais
desenvolvida potência industrial da América Latina.
Surpresos? Pois, sim, não é para menos. Éramos
ricos, muito ricos, industrializados, avançados, educados, cultos, europeizados,
amantes das artes, dos livros, das óperas, do desenvolvimento. Nossos
antepassados brilharam na Sorbonne e assinaram tratados acadêmicos, descobertas
científicas ou apurados ensaios literários. A menção de nossa origem não
provocava o deboche ou ironia tão costumeiros nos dias tristes de hoje, mas
profundas admiração e curiosidade dos que acompanhavam nossa trajetória como
Nação vencedora. Não ficamos célebres como contrabandistas ou traficantes, mas
como povo empreendedor e progressista. A organização de nossa sociedade, a
intensa vida cultura, o progresso econômico irrefreável, a bela arquitetura de
nossas cidades, a invulgar formação cultural de nossa elite, a dignidade com que
viviam nossos irmãos mais pobres (sem miséria ou fome) impressionavam e merecem
o registro histórico. A rainha Vitória, que não destinou ao resto do mundo a
mesma sabedoria com que governou e marcaria para sempre a história do Reino
Unido, armou três mercenários e eles dizimaram a potência que, com sua farta e
boa produção e espírito desbravador, tomava o mercado da antiga potência
colonial aqui, do lado de baixo do Equador. Brasil, Argentina e Uruguay, como
soldados da Confederação, nos arrasaram. Nossos campos foram adubados pelos
corpos de nossos irmãos em decomposição, decapitados à ponta de sabre e com
requintes de sadismo. O Conde D’Eu, marido de quem libertaria os negros e
entraria para a história, comandava pessoal e airosamente o massacre. Os
historiadores, essa gente bisbilhoteira e necessária, registraram seu apurado
esmero e indisfarçável prazer. O nefasto delegado Sérgio Fleury teve um
precursor com quase um século de antecedência...
Nossas cidades terminaram por ser habitadas por
populações majoritariamente compostas de mulheres e crianças. Poucos homens
restaram. Pedro II, que marcaria a história do Brasil por sua honradez,
comportou-se de forma impressionante nessa obscura página da história do Brasil,
mas inversamente conhecidíssima na história de meu país: não moveu uma palha ou
disse palavra acerca do sadismo de seu genro criminoso. Documentos por mim
revirados no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, mostram a assinatura do velho
Imperador autorizando a compra de barcos, chatas, cavalos e tudo o que fosse
necessário para uma caçada de vida ou morte (mais de morte, certamente) à Lopez.
Não bastava derrotar o déspota esclarecido, o republicano que os humilhava, o
que havia desafiado todos os impérios, o da Inglaterra, o do Brasil, o da
Espanha... Era preciso assinar s eu epitáfio e esculpir sua lápide. E assim foi
feito.
Derrotados, nunca mais fomos os mesmos.
Passamos a ser conhecidos por uma República já bicentenária, mas atrasada em
comparação aos seus vizinhos. Enfrentamos uma guerra cruel com a Bolívia na
primeira metade do século passado. Roubaram-nos importante faixa territorial do
Chaco, região paradoxalmente inóspita e riquíssima. Ganhamos a guerra. Nossos
soldados mostraram a valentia e patriotismo que brasileiros, uruguaios e
argentinos bem conheceram meio século antes. Nossa incipiente aviação militar e
seus jovens pilotos assombraram os experts norte-americanos, pela refinada
técnica e o sucesso de suas ações contra o agressor. Mas numa história prenhe de
ironias, vencemos a guerra e... ...jamais recuperamos as terras! Os bolivianos,
que jamais olham nos olhos nem das pessoas nem da história, certamente se
rejubilam em sua “andina soledad ”, e como os argentinos depois da inexplicável
Guerra das Malvinas, sabem-se “vice-campeões”...
Mal saímos da
Guerra do Chaco e experimentamos a mesma e usual crônica tão comum a
rigorosamente todos os outros países latino-americanos. Golpes e contra-golpes,
instantes de democracia e hibernações em ditaduras ferrenhas. Presidentes se
sucederam despachando no belíssimo Palácio de Lopez e vivendo na vetusta mansão
de Mburuvicha Roga (“A casa do grande chefe”, em guarani). Uns razoáveis, outros
deploráveis. Nenhum deles, entretanto, recuperou a glória perdida dos anos de
riqueza, opulência e fartura. Um herói da Guerra do Chaco tornou-se ditador e
nos oprimiu por mais de três décadas. Homem duro, mas de hábitos espartanos e
por demais interessante, o multifacético Alfredo Stroessner não recusou o papel
menor de tirano, mas construiu com o Brasil a estupenda hidrelétrica de Itaipu,
a maior obra de engenharia de seu tempo, salvando o Brasil de uma hecatombe
energét ica. Foi parceiro e amigo de todos os presidentes do Brasil de JK a
Sarney. Com os militares pós-64 deu-se às mil maravilhas, mas foi de suas mãos
que o exilado João Goulart recebeu o passaporte com que viajaria para tratar sua
saúde com cardiologistas franceses. Deposto, o velho ditador morreu no exílio,
no Brasil. Nós que o combatíamos (nasci em Buenos Aires, onde meu pai,
empresário de sucesso, mas adversário da ditadura, curtia seu exílio) jamais
soubemos de ação qualquer, uma que fosse, do Brasil em seus governos
democráticos contra a ditadura do general que lhes deu Itaipu.
Depois de duas décadas da derrubada de
Stroessner, nos aparece Fernando Lugo. Sua história é peculiar. Era bispo de San
Pedro, simpaticão e esquerdista, pregava aos sem-terra e parecia não incomodar
ninguém, nem os fazendeiros da área. Pelos idos de 2007 o então presidente
Nicanor Duarte Frutos, um jovem jornalista eleito pelos colorados, resolve
seguir o péssimo exemplo de Menem, Fujimori e Fernando Henrique, e deixa clara
sua vontade de mudar a Constituição e permanecer no presidência, através do
instituto inexistente da reeleição. Seu governo era mais que sofrível e –
descupem-nos a imodéstia latreada em nossa história – nós, os paraguaios, não
somos dados ao desfrute de mudar nossa Carta Magna ao sabor da vontade de
presidente algum. O país se levantou contra a aventura e ele, que o bispo
bonachão, justamente por não ser polít ico e garantir que não alimentava
qualquer ambição de poder, é escolhido para ser o orador de um grande ato
público, com dezenas de milhares de pessoas no centro de Assunção. Pastoral,
envolvente, preciso, o Bispo de San Pedro cativou a multidão, deu conta do
recado e catalisou imensa indignação da cidadania. A aventura continuísta de
Nicanor não foi bem-sucedida, mas, com a sutileza de um príncipe da Igreja nos
intricados concílios que antecedem a fumacinha branca, nos aparece um candidato
forte à presidência da República: ‘habemus candidatum’! A batina vestia mais que
um pastor, escondia um homem frio, ambicioso, ingrato e profundamente amoral.
Seu primeiro problema foi com a Santa Madre
Igreja. O Vaticano, certamente por saber algo que nós não sabíamos, vetou sua
disposição política. Não, de jeito algum, ele poderia ser candidato. A igreja
católica combateu a ditadura do general Stroessner com coragem e ação, mas não
queria ocupar a presidência do país. “Roma coluta, causa finita” (“Roma falou,
questão decidida”), mas não para Lugo, que deixou seu bispado, despiu a batina e
virou às costas a quem lhe educou e lhe acolheu no seu seio. Poucos e corajosos
colegas Bispos e padres o apoiaram abertamente. Na última sexta-feira, depois de
três anos sem vê-lo ou serem por ele procurados, esses mesmos amigos e
apoiadores foram até a residência presidencial pedir – em vão – que Lugo
renunciasse à presidência do Paraguay para que se evitasse derramamento de
sangue .
Candidato sem partido, entretanto com as
simpatias da clara maioria do eleitorado. Filiou-se, pois, a um partido e o
escolhido foi o centenário e respeitável PLRA, dos liberais, há mais de 60 anos
fora do poder e com a respeitável bagagem de uma corajosa oposição à ditadura
stroessnista. Como um Jânio Quadros, Lugo filiou-se ao Partido Liberal Radical
Autêntico e usou sua bandeira, sua história e sua estrutura capilarizada em toda
a sociedade paraguaia. E depois deu-lhe um adeus de mão fechada, frio e
indiferente.
Eleito, desfez-se de todos os companheiros de
jornada. Um a um. Stalin não apagou tantos nas fotos oficiais do Kremlin como o
ex-bispo o fez. Mas demitiu os mais qualificados, por sinal. Restaram-lhe os
cupinchas, os facilitadores de negócios e de festinhas íntimas, os “operadores”
e alguns incautos esquerdistas para colorir com as tintas de um risível
‘socialismo guarani’ o governo de um homem que chegou como o Messias e
terminaria como um Judas Escariotes.
Lugo poderia emprestar seu nome e sua
trajetória de vida política (e pessoal, também) ao mestre Borges e tornar-se uma
das impressionantes personagens da “História Universal da Infâmia”. Um infame,
não mais que isso! Mal eleito e empossado, sucedem-se escândalos e se revela seu
procedimento. Filhos impensados para um supostamente casto Bispo. Vários. Todos
jamais reconhecidos ou amparados, gerados com mulheres as mais pobres e sem
instrução alguma, uma delas com apenas 16 anos quando da gravidez. Se traíra a
sua Igreja, por qual razão não nos trairia? E traiu.
Não passou um mês sequer durante seus três anos
de governo sem que viajasse a um país qualquer. Com razão ou sem nenhuma, para
conferências esvaziadas ou cerimônias de posse de mandatários sem importância ou
relevo para o Paraguay. As pompas do poder o abduziram como a nenhum déspota de
república bananeira do Caribe. Os comboios de limusines com batedores
estridentes, as festas e beija-mãos, os eternos e maviosos cortesãos do poder,
as belas mulheres, as mesas fartas, os hotéis cinco estrelas, a riqueza, a
opulência, os “negócios”. O despojado ex-bispo tornou-se grande estancieiro. O
presidente que tomou posse calçando prosaicas sandálias como símbolo de
humildade, revelou-se um homem vaidoso e fetichista. Como que a vestir a mentira
em que ele próprio se tornou, passou a enxergar elegantes e bem-cortadas túnicas
encomendadas à alfa iates da celebérrima e caríssima Savile Row, templo londrino
da moda masculina. No detalhe, o estelionato (mais um): colarinhos
eclesiásticos. Afeiçoou-se a lindas e jovens, digamos, “modelos”, que floriram
sua vida e a banheira Jacuzzi que mandou instalar na austera e velha residência
presidencial. Muitas delas o precediam mundo a fora, esperando-o em hotéis
fantásticos e palácios, nas vilegiaturas internacionais. Viajavam com documentos
oficiais. Kaddafi auspiciava passaportes diplomáticos a terroristas, Lugo a
prostitutas.
Sua afeição pelos jatinhos e jatões chegou às
raias do fetiche: passou boa parte de seu peculiar mandato a bordo deles.
Fretados à empresas de táxi aéreo de outros países, mandados pelos amigões Hugo
Chávez e Lulla, outras emprestados sabe-se lá por um tais e misteriosos amigos.
Chocou-se com o brasileiro Jorge Samek, fundador do PT e competente gestor, que
na presidência brasileira da Itaipu resolveu vetar capricho juvenil do ex-bispo
e delirante presidente paraguaio: a poderosa binacional compraria um jato para
seu uso. Um Gulfstream, quem sabe um Falcon, ou até um brasileiríssimo Legacy,
mas ele precisava ardentemente de um jato para chamar de seu. Depois mandou que
o comandante da Força Aérea negociasse um Fokker 100, adaptado com suíte e
ducha. Nada feito, o raio de ação seria pequeno e ele precisava ganhar o mundo!
Por fim, nos ester tores de seu governo, entabulava a compra de um Challenger,
usado mas chique, de um cartola do futebol paraguaio. O preço, como sempre, mais
um escândalo da Era Lugo: pelo menos o dobro de um modelo novo, saído de
fábrica...
Obras viárias? Imagine. De infraestrutura?
Nenhuma. Modernização do país? Nem pensou nisso. Crescimento econômico? Sim, mas
por obra de uma agricultura forte, de empresários jovens e ambiciosos, de uma
indústria florescente e de um ministro da economia que destoou da regra geral do
governo Lugo: competente e austero, imune às vontades do presidente e distante
da escória que o cercava. A cada novo dia, no parlamento, nas redações, nos
sindicatos, nos foros empresarias, nos encontros de amigos, um novo comentário,
uma nova história de mais uma negociata dos amigos e companheiros de Lugo.
Proporcionalmente, nem na ditadura de Stroessner (mais de três décadas), se
roubou tanto quanto no governo pseudo-esquerdista de Fernando Lugo (menos de
três anos). Já com Lugo deposto, o secretário mais forte de Lugo, Miguel Lopez
Perito, telefonou à dir etoria da Itaipu solicitando a bagatela de US$ 300 mil
para organizar uma manifestação em defesa do governo. Queria ao vivo e a cores,
"na mala", por fora, não contabilizado, no "caixa 2". Que tal? Fato revelado por
um diretor da binacional e revelador do modus-operandi da verdadeira quadrilha
que comandava o país.
Seu processo de “Juízo Político” – algo como um
processo de impeachment – está previsto na Constituição do Paraguay, e não foi
uma travessura histórica de meia dúzia de líderes políticos ou parlamentares
revidando as descortesias de Lugo para com os partidos, os empresários, os
paraguayos todos. Que tipo de presidente era esse que teve 73 deputados votando
por sua queda contra apenas 1 solitário voto? Que espécie de chefe da Nação era
esse que teve 39 votos contrários contra apenas 4 senadores fiéis ao seu
desgoverno? Não teve tempo, apenas duas horas para defender-se. Ora, a
Constituição não determina tempo, apenas assegura-lhe o direito de defesa,
exercido através de competentíssimos advogados, que fizeram exposições
brilhantes na defesa do indefensável. Um deles, Dr. Adolfo Ferreiro, admitiu
claramente que o processo era legal. De outro, Dr. Emilio Camacho, em imponente
ironia da história, os magistrados da Suprema Corte extraíram em um de seus
celebrados livros aqueles ensinamentos necessários e a devida jurisprudência
para rechaçar chicana jurídica do já ex-presidente contra o processo legal,
constitucional e moral que o defenestrou. C’est la vie, Monsieur
Lugo!
Lugo foi um hiato em nossa história.
Necessário, mas sofrido. Seus defeitos superaram suas virtudes. Aqueles eram
muitos, essas muito poucas. Nós que nele votamos, sequiosos de um Estadista, nos
deparamos com um sibarita. Seu legado é de decepção e fracasso. Não choraram por
ele dentro de nossas fronteiras, e os que o defendem foram deles o fazem muito
mais pensando no que lhes pode ocorrer do que por solidariedade ao desfrutável
governante e desprezível homúnculo que cai.
O fim de seu governo dói mais a um dolorido
Chávez do que a nós. A Senhora Kirchner, radical na condenação que nos impõe, se
esquece de nossa parceria na importante e gigantesca usina hidrelétrica de
Yaciretá, e amplia sua lucrativa viuvez acolhendo em seu seio choroso o decaído
amigo. Solidária? Nem tanto, apenas sabendo que se abriu o precedente para que
os parlamentos expulsem os incapazes. Na Bolívia o sentimento popular em relação
ao sectário e também bolivariano Evo Morales não é diferente do sentimento dos
paraguayos por Lugo no outono de sua aventura presidencial. É pior. O relógio da
história irá tocar as badaladas do fim de uma aventura mais que improdutiva:
raivosa e liberticida.
Não compreendemos a posição do Brasil. Ou não
queremos compreender, tanto é o bem que lhe queremos. Nos arrasou como sicário
da Rainha Vitória e nós lhe perdoamos e juntos construímos o colosso de Itaipu.
O tratamos bem e ele defende a continuidade de uma das piores fases de nossa
história, em nome do quê? Nega-nos o direito à autodeterminação, mas se esquece
do papelão ridículo que fez em defesa de um cretino como Zelaya, um corrupto
ligado a grupos somozistas de extermínio e que era tão esquerdista como
Stroessner e democrático como Pinochet.
Foi deplorável o papel do chanceler Patriota
(que não se perca pelo nome), saracoteando pelas ruas de Assunção em desabalada
carreira, indo aos partidos Liberal e Colorado pressionar em favor de um
presidente que caia. Adentrando o Parlamento ao lado do chanceler de Hugo
Chávez, o Sr. Maduro, para ameaçar em benefício de um presidente que o país
rejeitava. Indo ao vice-presidente Federico Franco ameaçar-lhe, com imensa
desfaçatez, desconhecendo seu papel constitucional e o fato de que ninguém
renunciaria a nada apenas por uma ameaça calhorda da Unasul (que não é nada) e
outra ameaça não menos calhorda do Mercosul (que não é nada mais que uma
ficção). O Barão do Rio Branco arrancou seus bigodes cofiados no túmulo
profanado pelo Itamaraty de hoje. O que quer o governo Dilma? Passar pelo mesmo
vexame de Lula na paupérrima Honduras? Se afi rmativo, já fica sabendo que
passará. Nós temos imensa disposição de continuar uma parceria que se relevou
positiva e decente para ambos os países. Mas não temos da austera presidente o
mesmo terror-medo-pânico que lhe devotam seus auxiliares e ministros. Cara feia
não faz história, apenas corrói biografias. Dilma chamou seu embaixador em
Assunção e Cristina fez o mesmo. As radicais matronas só não sabiam que: o
embaixador brasileiro é um ausente total, vivendo mais tempo em Pindorama do que
por aqui. Recorda o ex-embaixador Orlando Carbonar, que foi pego de surpresa em
fevereiro de 1989 pelo movimento que derrubou o general Stroessner. Até meus
filhos, crianças na época, sabiam que o golpe se avizinhava e que estouraria a
qualquer momento, menos o embaixador brasileiro, que descansa no carnaval de
Curitiba, sua cidade natal. Voltou às pressas, num jatinho da FAB, para embarcar
Stroessner rumo ao Brasil. E a Argentina... Bem, a Argentina não tem embaix ad
or no Paraguay faz alguns meses... Ocupadíssima, Dona Cristina não nomeou seu
substituto. País de necrófilos, chamou um fantasma até a Casa Rosada para
consultas.
O Paraguay fez o que tinha que fazer. Seguirá
adiante, como seguem adiante as Nações, testadas e curtidas pelas crises que
retemperam e reforçam os povos. O religioso que não honrou seus votos de
castidade e pobreza e traiu sua igreja, foi por ela rejeitado. O presidente que
não honrou nossos votos e nos traiu, foi por nós deposto. Deposto por incapaz,
por mentiroso, por ineficiente. Mas, principalmente, por que traiu as esperanças
de um país e um povo que precisaram dele e nele confiaram e ele os traiu a
todos. E, por isso, Lugo não voltará.
(*) Chiqui Avalos é escritor e jornalista,
combateu a ditadura de Stroessner e fez a campanha de Lugo, edita a newsletter
"Prensa Confidencial", de grande influência no
Paraguai.
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