terça-feira, 20 de outubro de 2009

RIO 2016-penalti para ser cobrado.. sem paradinha.

Este texto me foi enviado pelo companheiro Halmalo Silva que infelizmente não citou seu autor.
Entretanto dado ao seu conteúdo resolvi repeti-lo neste espaço.
OLHAR PRA FRENTE. E OLHAR PRA TRÁS.
Agora que o papel picado já começa a ser recolhido nas ruas, e o sol já se pôs atrás do redentor acima da cidade, é tempo de entender o tamanho do que o Brasil conquistou.Na próxima década, uma planetaria lupa se aproximará do pais-mais especificamente do Rio de Janeiro. Uma final de Copa do Mundo. Os Jogos Olímpicos. O que o COI fez na sexta-feira , 2 de Outubro, em Copenhague, foi marcar pênalti a favor do Brasil. Um imenso e impensável penalti. Um penalti claríssimo. É esse penalti que o Brasil tem agora sete anos para cobrar. O problema é o goleiro.Quem é o goleiro?
Nelson Rodrigues escreveu certa vez que o brasileiro é um narciso às avessas-pois adora cuspir em sua própria imagem. Quem se acostumou a frequentar o Maracanã nos anos 80 e 90 - e a patinar pelos rios de urina que corriam no anel de arquibancadas, entende profundamente a frase. O brasileiro é assim - adora reclamar do Brasil. Mas...na hora de melhorá-lo, bom, quem nunca furou um sinal(ou farol) vermelho?
A ironia é que o brasileiro é assim mesmo- adora falar mal do Brasil, e adora ser brasileiro.Vê alguém furando a fila?Sem indigna.Chega atrasado e tem uma brecha? Ah, só hoje. No fundo, odiamos e amamos essa malandragem ao mesmo tempo. E amamos porque acreditamos que ela nos faz uma vantagem ímpar.Ninguém sabe driblar como o brasileiro...ninguém sabe resolver as coisas difíceis com o brasileiro. Devíamos ter patenteado o jeitinho há 500 anos, claro.
Como sabemos profundamente que somos assim...no dia em que conquistamos o direito de sediar uma Olimpiada, o brasileiro está feliz..é cético. Está comemorando , mas dizendo que "vão meter muito a mão" .Está orgulhoso, mas com o pé atrás.É justo. Basta olhar para o passado recente. Os céticos dirão-não sem razão - que somos especialistas em superfaturamento com vara, em orçamento á distância, em 110m sem algemas e esportes afins.Dirão sobretudo que o não-legado do Pan de 2007 lança enormes nuvens sobre os jogos que virão.É verdade.muito verdade.
Quando o Rio ganhou o direito ao Pan, em 2001, promessas foram lançadas ao léu. E nada se cumpriu. A cidade ganhou dois ou rês equipamentos de primeiro nível, fez jogos sem violência..e só. Não houve despoluição da Baia da Guanabara.Não houve metrô para a Barra da Tijuca ( nem para o nunca). Não houve TransPan, nem uma módica obra de infra-estrutura. Houve, sim uma denúncia de sobrepreço atrás da outra.
Perto de uma Olimpíada, O Pan custa um troco. A previsão brasileira para 2016 é,hoje, de R$ 25 bilhões de gastos. A experiência mostra que esse é apenas o ponto de partida. E é exatamente aqui que devemos parar. Parar e olhar, nacionalmente, para a frente.
Há 15,20 anos seria impensável ver o Brasil sediando os dois maiores eventos esportivos do planeta. Mais que impensável seria risível. O Brasil tinha uma democracia infantil, inflação galopante e pouca projeção planetária. Era uma terra exótica de onde veio o Pelé, repleta de multas, macacos e cobras. A capital se chamava Buenos Aires, o Carnaval era um barato...e pegando um Taxi em Ipanema,você desembarcava na Amazônia.
A vitória de agora mostra que algo mudou. Hoje, o mundo já ouviu falar de São Paulo, Já ouviu falar de Brasília.Já não enxerga o Brasil como aquele nanico curioso que sabe jogar futebol. O proverbial pais do futuro começa a olhar pra frente com confiança. Mas, pra que isso funcione, é preciso - como diria Roberto Carlos - é preciso saber viver.
Sim porque a corrupção continua saltitante e ululante. Assim como o jeitinho e seu subproduto mais vil - a impunidade. E decerto, em corredores e subterrâneos, há sinistras ratazanas salivando diante das oportunidades á rente.Mas esses bichos existem desde sempre - e existiram em todos os paises.A questão, para o Brasil, é outra.
O Brasil precisa mudar por dentro. Precisa abolir suas regras surdas-precisa deixar de achar que conchavo e conversinha resolvem os grandes problemas. Precisa, em resumo, abolir o malandro. Do futebol à politica,O Brasil valoriza a ginga e o drible. Mas quando um dribla... outro é driblado.Todo malandro precisa de um otário. E, nesse particular caso, pouco são malandros, quase 180 milhões são otários.
Então,é um proposta singela. Precisamos revogar a lei de Gerson, parar de acreditar que o jeitinho é legal. É uma diferença sutil- a ginga é bacana, enganar o próximo não. Parodiando um famigerado revolucionário, devemos endurecer, sem perder a ternura - pois a ternura é nossa maior identidade.Essa sutiliza - a fronteira entre a tolerância e a impunidade - é que precisamos entender. Aprender a punir quem precisa ser punido sem deixar de gostar da festa - tai nossa missão nos próximos sete anos.Não é tarefa fácil - pois rebeldia e malandragem fazem parte de nossa identidade há cinco séculos.
Temos, pois sete anos para aproveitar a oportunidade e transformar o Brasil. Não roubar, e não deixar roubar. Fiscalizar -e se indignar. Participar -e cobrar. São verbos bonitos hoje - mas chatos quando o tempo passa. dão trabalho. Se não aprendermos a conjugá-los, se deixarmos pra lá , se acharmos que é com os outros...é bem possível que tenhamos um belo evento esportivo daqui a sete anos - como tivemos em 2.007. E isso, obviamente, será perder uma chance única.
É ESSE O PENALTI QUE O BRASIL PRECISA COBRAR. PERDÊ-LO...SERÁ DEIXAR PASSAR ENCILHADO O CAVALO DESTA HISTÓRIA TROPICAL.

2 comentários:

  1. Muito verdadeiro e bem colocado o pensamento de Halmalo Silva. Digno de publicação em estabelecimentos de ensino, clubes, igrejas e todas as instituições que retém pessoas para que elas possam refletir e dar início à necessária transformação do caráter e caminhar para a elaboração de posturas mais apropriadas e elegantes. o Brasil é lindo. O brasileiro é filho dessa formosura e, se "quem puxa os seus não degenera", está na hora do brasileiro mudar junto com a pátria mãe.

    Carmelia Heizer

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  2. Pois é Cezar,eu como uma boa Brasileira, não posso deixar de dizer "orgulhosamente e com o pé atrás": "Quem viver verá"!

    Angela Nunes

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